Web 2.0 e Enterprise 2.0: Administração 2.0?

Cada vez mais empresas têm se utilizado de ferramentas da web 2.0 para divulgar não somente seus produtos, mas também aspectos da sua estratégia, aumentando consideravelmente o contato com o consumidor. Exemplos disso são os blogs corporativos da Mercedes Benz, DELL ou Petrobrás.

Ferramentas online podem representar um novo e poderoso canal de contato direto com consumidores, permitindo a expressão direta da organização, sem o filtro muitas vezes destrutivo da mídia convencional. A DELL, por exemplo, utilizou seu blog de maneira bastante eficiente para tratar dos casos de explosão de baterias em alguns modelos de seus notebooks. Em uma discussão recente sobre tecnologias 2.o na universidade de Stuttgart, diversos aspectos foram levantados com relação à utilidade e à eficiência destas ferramentas.

Um dos aspectos mais ameaçadores (para nossos modelos de administração atuais) é a segurança. A Daimler-Benz relatou no workshop  o elevado poder da automoderação: o funcionário, sabendo que todos (inclusive seus colegas e patrão) podem ler seus comentários limitam a postagem de comentários indevidos. Apesar deste relato a Benz mantém moderadores que revisam diariamente o conteúdo do seu blog.

Por outro lado, a utilização de blogs e wikis pode aumentar (e tem aumentado) consideravelmente a produtividade. Exemplos citados no workshop da Deutsche Telekom (operadora alemã de telecomunicações) demonstram o elevado poder de blogs e wikis na manutenção do status e na divulgação de informações em projetos. Creio também que a gestão de projetos possa ser uma das áreas mais beneficiadas com esse tipo de ferramenta.

A utilização destes diários e bibliotecas virtuais todavia traz consigo uma mudança radical no modo de se administrar. A hierarquia tende a se achatar e, em muitos casos, a ser dissolvida. A simples postagem de um problema em um projeto atravessa níveis hierárquicos estando automaticamente disponível para diretores. Seria esse fato uma ameaça à administração como se conhece hoje? A sensação de falta de controle e a exposição de gerentes de nível intermediário é um resultado imediato do uso destas ferramentas. Tendências indicam que autonomia e conceitos como autogestão, autocontrole e assim por diante, são desejáveis e aumentam a produtividade e a criatividade em um time de projetos (leia, por exemplo, nosso artigo na MundoPM de Abril/Maio 2009, p.52 – Capacidade de Transformação: Gestão Ágil de Projetos e Estruturas Organizacionais Transformáveis).

A projeção de alguns cenários nos permite imaginar que no caso mais sombrio a hierarquia e o controle atual se dissolveriam. Ou seja, gerentes intermediários (como aconteceu no caso dos bancos) teriam sua importância totalmente reduzida (e conseqüentemente, seu salário), pois estes não são mais necessários para controlar o time, que se autocontrola, nem para fazer relatórios para a diretoria, que é on-line e real-time através de blogs e wikis. Em um cenário mais otimista, podemos imaginar que esta camada gerencial possuirá ainda maior importância, sendo responsável por dirigir os times como um técnico de futebol, com menos controle, todavia com um papel motivacional imprescindível. Prof. do MIT, Peter Gloor, chama esse novo tipo de gerente de “Abelha Rainha”, pois não dá comandos e controla, mas motiva e define regras que permitem a autonomia e a criatividade no time.

Diversas incertezas permanecem, todavia, uma coisa é certa: a gestão atual, baseada no comando, controle e hierarquia, já demonstra sinais de fraqueza. E você, como está se preparando para esta nova era de autonomia e conhecimento? Sua empresa? Já possui um blog? A geração de consumidores que entra no mercado atual possui um outro tipo de necessidade: contato direto, virtual, mas direto!

One response to “Web 2.0 e Enterprise 2.0: Administração 2.0?

  1. Gostaria de reforçar a mensagem de Peter Gloor quado ele fala sobre o novo tipo de gerente “Abelha Rainha”, pois não dá comandos e controla, mas motiva e define regras que permitem a autonomia e a criatividade no time.
    Atuo como gerente de projetos na Siemens e temos o processo de desenvolvimento de produto muito bem definido e amadurecido (o que facilita muito a minha vida), mas isso não garante o sucesso do projeto. O maior desafio passa a ser a motivação da equipe, o foco passa a ser o time e cada pessoa. Com pessoas motivadas, seguir o processo é fácil. A cada dia percebo que para dar continuidade a minha carreira como gerente de projetos, devo dar maior atenção aos estudos sobre relacionamento pessoal e motivação.

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