Já que estamos em época de eleições…

Ontem assistindo ao debate de Dilma e Serra, disponibilizado on-line por algum ser benevolente, fiquei estarrecido.  Algo que lembre qualquer ideologia partidária foi tão esquecido que, em certo ponto – um dos mais interessantes, por sinal – cada candidato começou a falar o que o partido do outro candidato propõe. Impressionante. Nesse momento, me questionei qual a razão desta situação e, mais, o que isso significa para as empresas, públicas ou não.

Lembrei-me então de um modelo interessante da teoria dos jogos. Nesse modelo assume-se que eleitores de extremos possuem posição bem definida e não trocam facilmente de opção. Isso está de acordo com a observação de que eleitores de esquerda são Dilma e não abrem e eleitores de direita ficam com o PSDB. Nesse contexto, quem de fato decide a eleição são os eleitores sem posição extrema definida, pois trocam mais facilmente de candidatos. Na tentativa de ganhar estes eleitores, o modelo da teoria dos jogos prevê que os partidos tendem, no longo prazo, a se aproximarem de uma posição central.

E isso ficou claro no debate. São dois partidos que vendem imagens tão centrais e tão iguais que podem falar das propostas do outro! Eles só esquecem que, ao criticá-las, criticam suas próprias propostas! Teoria dos jogos não poderia estar mais correta. A próxima pergunta que então me fiz foi: quem são os eleitores de centro no Brasil? O que eles querem? E o que mais me incomoda: não cheguei a uma resposta. Em diversas discussões com amigos, todos com formação superior à média brasileira, percebo que a falta de ideologia partidária reflete um eleitor sem ideologia. A descreça no sistema político brasileiro, eu arriscaria dizer, a expectativa de palhaçada (aquela que elege Tiririca – ou você acredita no voto dito ‘de protesto’?) mantém estas pessoas bem formadas longe da discussão política. Pior. Muitos daqueles que defendem um ou outro partido apegam-se a detalhes, a propostas efêmeras e não a um programa de governo em sua totalidade. E o que vemos como resultado? Dois políticos tentando falar ‘fácil’, atingir as classes mais baixas inspirando-se em Lula.

E nessa discussão fica difícil entender (como alegam alguns jornalistas) se ações da Petrobrás de alguma forma variam com pesquisas de intenção de voto. Todavia, o que é fácil de observar – mais uma previsão da teoria dos jogos – é que, independente de quem ganhe, é provável que as mudanças políticas não sejam drásticas. Isso significa que organizações (com algumas exceções – como casos de privatização) teoricamente pouco tem a temer com o resultado das eleições. Por um lado, esse resultado nos tira o medo de revoluções partidárias de cunho duvidoso, por outro, propaga mazelas com as quais nosso país continuará sofrendo, o dito custo Brasil.

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