Gestão de mudanças: competência fundamental

Em um ciclo contínuo de introdução de novos produtos, tecnologias e processos, empresas têm chegado à conclusão que a única estratégia sustentável de sucesso é desenvolver a capacidade de constantemente se reinventar.  Isso porque é uma questão de tempo para que a vantagem competitiva atual, garantida por uma tecnologia inovadora, um produto patenteado ou um modelo de negócio não usual seja imitada, alcançada ou superada pelos concorrentes. Desta forma, organizações empenham-se hoje na busca idéias que possam vir a ser produtos ou tecnologias de amanhã.

Este cenário impõe elevados custos a uma organização. Criar novos produtos e processos implica investimento em desenvolvimento, implementação e testes, sem contar o grande número de tentativas frustradas por diferentes motivos, entre eles idéias mal avaliadas, timing errado ou então resistências internas. Além dos custos diretos, toda e qualquer mudança implica custos implícitos, geralmente negligenciados. Estresse, conflitos, gestão de projetos e horas extras constituem o overhead mais significativo deste processo doloroso que é a mudança. Neste sentido, um conjunto de técnicas que possibilite à organização a se transformar eficiente- e eficazmente é de grande utilidade. Este conjunto de técnicas está reunido sob o termo Gestão de Mudanças.

Desenvolvidos a partir das mais diversas áreas do conhecimento, os métodos, técnicas e processos de gestão de mudanças abrangem da psicologia à teoria geral do sistemas. Todas estas técnicas possuem um objetivo comum: permitir, interferindo em áreas diferentes da organização, implementar eficiente e eficazmente mudanças organizacionais.

O termo mudança é um termo bastante amplo e, de certa forma, controversa. Na gestão de mudanças, todavia, o termo recebe uma definição bastante clara. Mudanças restringem-se ao escopo intra-organizacional e englobam, em maior ou menor grau, todas as dimensões da organização: estrutura, estratégia, processos e recursos. É justamente na amplitude do termo que mora sua complexidade. A otimização de uma dimensão organizacional geralmente implica restrições em outras, gerando o conflito de interesses. Em conjunto com a incerteza gerada por um futuro nebuloso, freqüentemente imposto pelo alto escalão organizacional, o conflito gera tensões e medo, fenômenos que podem minar qualquer iniciativa de mudança na organização.

Para aumentar a probabilidade de sucesso da mudança organizacional, os instrumentos da gestão de mudanças permitem:

  • o diagnóstico: através de um conjunto de radares e técnicas como a pesquisa de satisfação, busca-se um entendimento claro do contexto organizacional vigente e dos pontos mais críticos na implementação de uma mudança;
  • a comunicação: permitem a redução da insegurança através da correta informação de todos os envolvidos;
  • a motivação: estas técnicas, sobretudo derivadas da psicologia, fornecem uma caixa de ferramentas para ativar a motivação intrínseca dos participantes na mudança, aumentando sua aceitação;
  • a qualificação: mudar implica a geração de um estado novo, para o qual os participantes geralmente não estão preparados. Instrumentos de qualificação ajudam a preparar os envolvidos tecnicamente para atuarem com segurança no estado organizacional futuro;
  • a transição (instrumentos organizacionais): nesta categoria encontram-se ferramentas como a gestão de projetos e a organização que aprende. A primeira prescreve diferentes formas organizacionais transitórias, através das quais a mudança pode ser implementada. A segunda fornece um conjunto de premissas úteis na geração de uma estrutura organizacional capaz de constantemente se auto avaliar, percebendo necessidades de evolução.

Uma análise superficial da história nos permite concluir que grandes líderes (de Jesus Cristo a Barack Obama) possuem uma capacidade inata de atuar nos aspectos humanos da mudança, sobretudo através da motivação e da criação de um futuro coerente. A maestria de tais líderes pode, todavia, ser exercitada ao se colocar em prática as técnicas da gestão de mudanças. Ameaças ambientais, como o aquecimento global, concorrência global, dentre outras turbulências, exigem hoje, mais do que nunca, líderes transformacionais, pois somente eles conseguem transferir organizações de patamares com a rapidez e eficácia necessárias. Neste sentido, acredito que o conhecimento básico das principais técnicas de gestão de mudanças são imprescindíveis para qualquer administrador que persegue uma carreira sustentável!

Se você quer saber mais, recomendo o seguinte livro:

John Hayes (2007). The Theory and Practice of Change Management. Palgrave Macmilliam. New York, 2a. Edição, 2007.

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