Trabalho conjunto: empresa e universidade

Hoje tive o prazer de participar de uma primeira reunião para um possível projeto conjunto de pesquisa entre universidade pública e iniciativa privada, diga-se de passagem, na Alemanha. Em resumo: desenvolvo há cerca de 8 meses um projeto de simulação em gestão estratégica dentro de uma empresa líder de mercado na produção e distribuição de energia. Chegamos ao ponto onde precisamos agora parametrizar este modelo, para que se torne funcional.

Como não temos especialistas nesta área no grupo, buscamos um parceiro externo, prof. e chefe de departamento de uma Universidade aqui perto. Em cerca de uma hora apresentamos nosso projeto e discutimos o assunto. Nesta uma hora: o professor entendeu exatamente nossa necessidade (que, diga-se de passagem já está bastante avançada). Demonstrando muito conhecimento do assunto e também muita experiência no trabalho com empresas consegui não somente nos convencer da sua competência, mas também se demonstrou instantaneamente interessado no assunto. Fornecendo uma previsão (sem garantias) de custos e tempo estimado para o trabalho, ficou responsável por nos mandar um resumo da conversa e uma pequena proposta em cerca de uma semana.

O orçamento indicado e o tempo necessário para o projeto são bastante realistas. Fiquei realmente impressionado com o pragmatismo ressaltado na universidade. Este caso não é único. Convivo diariamente (mas não diretamente) com trabalhos universidade-empresa aqui, e isso realmente funciona. Aliás, na escola que estou tem-se dado grande valor a doutoramentos realizados dentro de organizações e não enfurnando-se alunos na universidade. Além disso é comum (quando não obrigatório) o desenvolvimento de projetos de final de curso na empresa, com orientação dupla.

Quanto ao Brasil? Que distância. Eu mesmo vivi um não bem recebido quando quis fazer doutorado em administração em Curitiba ao mesmo tempo que trabalhava com o mesmo assunto em uma organização. É, lá precisamos dedicação exclusiva! Quanta miséria. Miséria de perspectivas, pois é através do trabalho conjunto que se alcançam resultados aplicáveis  por um lado e dinheiro para a universidade por outro.

Todavia, como vocês sabem, na universidade pública brasileira, o serviço é publico. Instituição privada não entra. E a universidade está lá para focar única e exclusivamente no seu umbigo. Não é de se admirar que doutores no Brasil são ratos de universidade que possuem uma “indústriofobia”. Aliás, muitas vezes torna-se um reduto de professores que acabaram sendo professores não por opção, mas pela falta de. E estes tremem ao lado de um empresário! Por outro lado um título de doutor na Alemanha é muito valorizado, na empresa. Aliás, muitos dos meus colegas alemães fazem doutorado justamente com este objetivo: ‘cortar caminho’ e ter acesso mais rápido aos altos escalões organizacionais. Quase igual ao empresário brasileiro, que acha que lugar de doutor é no consultório. É… é… por isso que apesar do Brasil estar no 13º. lugar no ranking internacional de publicações (em quantidade, vale ressaltar), continua lá trás no desenvolvimento tecnológico! Infelizmente.

One response to “Trabalho conjunto: empresa e universidade

  1. Olá Donald, concordo com suas opiniões. Gostaria de receber informações mais detalhadas do seu projeto. Também trabalho em uma empresa de energia e quem sabe né??? As vezes uma idéia e a chance de falar com as pessoas certas pode mudar muita coisa..

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