Então você pretende fazer um MBA?

A edição de junho da Harvard Business Review traz foco especial no assunto (muito atual) confiança. O tema é discutido de diversas formas. O artigo The Buck Stops (and Starts) at Business School, de Joel M. Podolny, discute a queda livre sofrida pela imagem de programas das Business Schools americanas que acompanharam a desconfiança geral nos bancos e nas grandes corporações.

Em citação do New York Times, ressalta o autor que um dos aspectos mais atacados nos MBAs é a falta do desenvolvimento do pensamento crítico. Este, por sua vez, seria baseado no estudo da cultura, literatura, filosofia e assim por diante. Indo ainda mais longe, o autor (ex-prof. da Harvard Business School) ataca a apatia dos cursos de MBAs na abordagem de assuntos como ética e responsabilidade social alegando que as Business Schools têm sido vistas como algo perigoso à sociedade, pois seus ótimos formados gestores não impediram a crise atual. A pergunta crucial do seu artigo é: como que a educação em administração veio a ser parte do problema e não mais parte da solução?

Podolny cita que o principal problema está nos moldes iniciais dos programas de MBA. Até aí eu concordo. O pensamento cartesiano levou programas de MBA a dividir a realidade em pequenas partes incorrendo demasiadamente em premissas simplificadoras e colocando muito valor em métodos matemáticos. Todavia, o autor ressalta que a solução seria redirecionar a pesquisa para áreas qualitativas, eliminando-se rankings de avaliação dos programas e determinando multas para aqueles que violarem o código de conduta do programa. Aí eu discordo.

Creio que a visão implantada nos MBAs de hoje nada mais é do que o suprimento de uma demanda gerada pelo mercado empresarial. Julgo que a visão capitalista dominante no mercado é que molda os cursos de MBA e não o contrário. E aqui vai minha justificativa: quantas vezes você exigiu de um professor determinado conteúdo porque teve dificuldades no emprego em função do conteúdo não aprendido anteriormente na faculdade? E quantas vezes você pediu as contas porque o mercado não funciona como dentro da universidade? A necessidade do mercado de trabalho e da economia é muito mais direta do que da educação. E, justamente por isso, creio que esta necessidade se reflete no formato dos cursos atuais. Você aprende porque existe uma necessidade no mercado de trabalho e não o contrário.

Ora, então qual seria o caminho para a solução? Sou da opinião que os cursos de graduação e pós-graduação em administração devem manter o embasamento matemático e teórico existente. Isto não está errado, mas é insuficiente. Importante é somar a isso o que realmente ainda falta: uma visão clara de como as partes do sistema interagem. Isso é fundamental. O correto entendimento de que a economia nada mais é (ou deveria ser) do que uma ferramenta para suprir as necessidades da sociedade, e não de 0,1% de investidores é fundamental. A destruição dos moldes cartesianos e dos conceitos mecanicistas é imperativa! E isso pode ser adquirido com técnicas do pensamento sistêmico. Através delas a forma de raciocinar muda e permite ao estudante considerar os efeitos negativos de uma decisão que, em geral, estão distantes no tempo. Isto permite a tomada de decisão (mais) sustentável. Somente quando formos capazes de interpretar as relações causais entre nossas decisões atuais e o impacto delas no futuro distante a sociedade voltará a confiar nos administradores e na sua educação. E você, sabe o que é pensamento sistêmico? Já usou alguma técnica sistêmica? Cuidado… pensamento sistêmico não é pensamento holístico!

Deixe uma resposta