A natureza da colaboração entre organizações

Você já se perguntou o que efetivamente caracteriza o trabalho de sucesso entre sua empresa e um parceiro? Pois é, se fugirmos dos critérios puramente econômicos, esta pergunta torna-se difícil de ser respondida. Constantes mudanças tecnlológicas e pressões do mercado, todavia, nos forçam a buscar sinergias, unindo forças com outras organizações, sejam elas universidades, empresas, ONGs ou mesmo partidos políticos. Mas seria possível melhorarmos a forma com que trabalhamos em conjunto, sendo que nem conseguimos corretamente responder: “o que é colaboração?”

Esta pergunta tem sido abordada a partir de diferentes perspectivas. Contudo, a maior parte da pesquisa nessa área sucumbe à economia como principal ponto de referência. Mas, observando casos emblemáticos de colaboração, como aqueles das empresas japonesas nos EUA, percebemos que a perspectiva econômica não é a única. Mais ainda, frequentemente o sucesso econômico é apenas a conseqüência de um compromisso mútuo entre os parceiros. Esse fato faz emergir, novamente, a pergunta: “o que é colaboração interorganizacional?”

Como foco principal da minha tese de doutoramento, esta pergunta tem me ocupado nos últimos anos. É com prazer que apresentarei alguns resultados  da minha pesquisa na PRO-VE’ 11, 12th IFIP Working Conference on VIRTUAL ENTERPRISES, uma importante conferência sobre redes colaborativas que acontecerá em São Paulo na próxima semana.

PRO-VE

Se você tem interesse em conhecer não só um pouco do meu trabalho, mas uma perspectiva nova e promissora sobre organizações, visite o site da conferência e venha discutir comigo. Será o maior prazer. Abaixo segue o resumo do artigo a ser publicado juntamente com a referência bibliográfica.

Neumann, D.; De Santa-Eulalia, L.; Zahn, E. Towards a theory of collaborative systems. To appear in L.M. Camarinha-Matos et. Al. (Eds.) PRO-VE 2011, IFIP AICT 362, pp. 306-313, 2011.

Abstract. High failure rates often observed in practice suggest that collaborative relationships are still not well understood. In this paper we investigate the nature of these relationships from second-order Cybernetics and Social Systems Theory perspectives. Thereby we develop a novel theoretical framework, the Collaborative System, which explains: 1. the organizational function of collaboration; 2. the system’s elementary operation; 3. its coupling mechanism; 4. the system autonomy and; 5. its ‘value’ creation mechanism. The proposed framework is innovative and has far reaching consequences for the understanding of different forms of collaborative relationships. Nevertheless, it raises a whole new set of questions yet to be explored.

Keywords: Collaborative System, Interorganizational Collaborative Networks, Cybernetics, Social Systems.

4 responses to “A natureza da colaboração entre organizações

  1. Boa tarde Donald,
    tenho acompanhado teus artigos, e percebo uma profundidade de conceitos, que ilustram os principios do mister da administração de relacionamentos entre empresas.
    o aprofundamento das questões relacionadas com o componentes humanos, neste mister, penso terá que ser mais aprofundado.
    como você coloca bem que o componente econômico é fundamental para o relacionamento entre empresas, não podemos deixar de abordar o conteudo
    do comportamento humano, como talvez vetor da aproximação entre empresas, visto que fatores psicológicos, podem tolher ou promover a colaboração entre organizações.
    embora o artigo tenha o objetivo de valorizar a importância deste relacionamento, penso que devemos pensar no processo decisório humano.

    sucesso

    Braulio

    1. Caro Braulio,

      de fato o componente humano é essencial. No meu trabalho busco enfatizar sobretudo isso, o caráter social do relacionamento interorganizacional. Embora diversos autores buscam se aprofundar neste aspecto, creio que em grande parte, a premissa básica utilizada, que o comportamento individual é fruto de expectativas econômicas está errada. Espero que, quando traduzir meu trabalho em uma metodologia concreta, em processos de colaboração, consigamos avançar não somente no desenvolvimento teórico, mas também na prática deste fenômeno cada vez mais importante na sociedade.

      Um abraço.

  2. Bem……Sempre acompanho os seus escritos e vejo que suas idéias são bem a frente do nosso tempo, se compararmos, é claro, o confronto entre idéias inovadoras e evolutivas e comportamento conservador e resistente das maioria das empresas.
    Defendo a ideia de que há necessidade de tratarmos os relacionamentos na esfera organizacional com novos conceitos, pois ainda somos compelidos a habituarmos a antigas normas e regras que não se conformam com a dinâmica atual, pois, sistemas hierarquizados podem em boa medida atrapalhar o bom andamento de um negócio, porém por outro lado, o controle pode solucionar os problemas, seja de relacionamento entre os colaboradores e/ou parceiros comerciais.
    Pois…… Num ambiente que entendo econômico diversos atores figuram e exercem sua importância vital para o sucesso organizacional, portanto porquê alguns setores ignoram que a integralidade é o melhor caminho.

    1. Caro Francisco,

      ainda existe, conforme você ressalta, uma grande dificuldade em se abordar adequadamente a colaboração como um fenômeno com natureza própria, distinta da esfera organizacional dos participantes. E justamente nesse sentido, acho que podemos evoluir, como você mesmo colocou. Entender este sistema social com seu contexto e suas propriedades específicas, o separando de outros sistemas, é um passo inicial, porém primordial, para a efetiva administração deste fenômeno.

      Um abraço.

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